A febre das câmeras DSLR no meio audiovisual dito “profissional” tem causado um efeito colateral desagradável e indesejável: a febre dos gravadores de bolso.

O argumento tradicional é a excelente relação custo/benefício dessas câmeras; qualidade excepcional (o que é questionável por conta da compressão que essas câmeras impõe à imagem que elas produzem) por um custo inexpressivo (o que também é questionável, uma vez que tornar uma DSLR operacional como câmera de vídeo exige um investimento mínimo em lentes, matte-box, follow-focus, tripé, monitor, enfim, acessórios em geral, que ultrapassa em muito o valor da própria câmera). O fato é que as DSLRs são uma realidade, assim como os gravadores de bolso. O que pouco se discute é a total inadequação desses modelos de gravador para gravações em nível “profissional”, por vários motivos, mas em especial porque eles não se destinam a isso e portanto, não oferecem o que um gravador portátil profissional deve oferecer. Um outro motivo crucial? Porque eles efetivamente não tem qualidade, existe uma relação diretamente proporcional entre o baixo custo e a baixa qualidade destes gravadores, por um motivo simples: bons componentes custam caro, assim como boa mão de obra.
Este site traz uma série de testes comparativos entre alguns modelos populares de gravadores incluindo o Zoom H4n, que já apareceu neste blog como um bom modelo de gravador de repórter (e acredito que para este fim ele seja adequado) e o Sony PCM-D50 (mais caro, melhor preamp, mas infelizmente sem entradas XLR). Além dos testes de noise-floor e preamps, o blog também traz testes de distorção harmônica, e neste quesito, nosso amigo Zoom H4n passa vergonha perto de qualquer outro concorrente. Para este outro blog, o Zoom H4n tem seu espaço, embora o elenco de contras seja bem maior que o de pros. Ao comparar o H4n ao venerável Sound Devices 702, o que é uma verdadeira covardia, o blog nos lembra o que é preciso oferecer para ser um gravador profissional. Contra ele, o 702 só tem mesmo o preço alto (adequado à sua estatura e qualidade).
Num ponto intermediário, encontramos o Fostex FR-2. No comentário, Ty Ford questiona autonomia de bateria e a ergonomia da unidade, mas elogia os preamps. O FR-2 não é um gravador de bolso, bem como o SD 702. Ambos são portáteis robustos, destinados a captação em campo e disputam mais ou menos a mesma fatia de mercado. O 702 sai na frente nas categorias preamps, bateria e navegação, mas é possível comprar um FR-2 com placa de time-code pelo preço de um 702 sem T.C..
A Tascam não poderia ficar de fora da disputa, e aparece com a série DR-07, DR-1, e DR-100; três opções de portáteis de bolso, cada uma com méritos e fraquezas, mas que logo de cara já reagem bem ao Zoom H4n ao trazerem, por exemplo, hard switches (botões físicos para alguns controles cruciais, enquanto o H4n faz quase tudo por navegação), entradas XLR com phantom power independente uma da outra e knobs de ganho também físicos e não via navegação.
Mas o que esperar de um portátil?
- Autonomia de bateria e um modelo de bateria acessível e popular;
- Mídia confiável, como Compact Flash ou Security Digital, por exemplo;
- Entradas XLR com Phantom Power independente e opção de entrada de mic ou linha;
- Controles de ganho individuais e físicos para os inputs;
- Preamps silenciosos e com um amplo range (capazes de suportar desde microfones dinâmicos até microfones de condensador muito sensíveis);
- Ergonomia, posicionamento adequado dos controles, entradas e saídas e possibilidade de colocar o gravador numa bolsa e operá-lo com uma única mão;
- Conectores resistentes e chassis resistente.
Em suma, em se tratando de gravadores, não existe isso de bom, bonito e barato. A qualidade é proporcional ao investimento.